o caminho da alma ... conduz a água ...
Encho os pulmões, e expiro fechando os olhos e abro bem os braços, quase abraçando a ilha em minha frente.
Uma tranqüilidade chega com o vento, que me envolve num leve sorriso, solto, despretensioso e sutil.
Meus pulmões queriam entoar uma canção, sem nome, sem titulo, uma canção que tem na melodia forças agridoces, impregnadas de um timbre místico que reúne um repertório de cura e união pessoal com aquele momento único.
Acionada com paixão frente à natureza do oceano, que cria finais nítidos e abre novos começos, eu levo meu olhar para as esculturas nas pedras feitas pela água e que encarnam a lembrança selvagem e consciente do lugar.
Eu nada procurava, era procurada pelas minhas emoções que dançavam livres com meus braços abertos e meus cabelos ao vento.
A pura verdade saindo em confiança em melodiosa sinfonia para o mar, onde eu atiçava com os meus braços abertos as intenções, os sentimentos.
Totalmente instintiva, meus pés descalços naquela areia quente, me deixavam em pé dentro daquela corrente de vento selvagem e forte ,e destinados a continuar como se fossem afluentes na vida criadora, num lugar pra alma se acalmar, nas cheias e vazantes que sobem e descem com as estações.
Entre todas as nuances e significados que se podia imaginar, eu simplesmente sabia que a ordem da natureza que nada pede em troca, era todo o silencio e toda a musica que eu precisava naquela especial parada na praia,compondo aquela canção.
Era o tempo “exclusivamente meu” que me permitia inspirar e expirar livre da menor interrupção.
Como uma pluma pousada sobre o canto das minhas emoções, não existiam necessidades e ao abaixar os braços eu me sentia plena de canto, danças, criações. Plena do amar, do consertar e manter, do ar, do vento e das vozes da consciência .
Grê

praia do Tombo- Guarujá SP - foto Hilton Alves
Escrito por Gaia, deixe sua rosa aqui. às 23:08:46
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|